quarta-feira, 11 de abril de 2012

Apoios - Postes eléctricos



Os postes têm como principal função servir de apoio às linhas aéreas permitindo assim, que as distâncias mínimas entre estas e o que as rodeia sejam respeitadas, como por exemplo, ao solo, árvores, edifícios, etc.
De acordo com as características de instalação das linhas, os apoios dividem-se em dois grandes grupos: 

Amarração
Suspensão

A estrutura mais utilizada na Rede Nacional de Transporte (RNT), é uma estrutura treliçada em aço, sendo que por motivos estéticos e de maior integração no espaço envolvente, começam a utilizar-se estruturas tubulares em aço.
Independentemente do tipo de apoio, todos apresentam a característica de estarem sujeitos a esforços aos quais têm de resistir assegurando a estabilidade das linhas e resistindo à força de arrancamento induzida por estes. Estes esforços podem ser de diversos tipos: 

Transversais
Longitudinais
Torcionais
Verticais

 e que variam em grandeza de acordo com o tipo de apoio. Por exemplo um apoio em suspensão apresenta como principal característica a resistência a esforços verticais em comparação com um em amarração, cujos principais esforços, são os longitudinais, nomeadamente se existir quebra de um condutor para o qual tem de estar dimensionado e ser capaz de suportar esses esforços excepcionais.
Assim, os esforços podem ser normais e excepcionais, sendo que os excepcionais podem ser causados pela quebra de um condutor que altera substancialmente os esforços a que um apoio está sujeito.
No cálculo destes esforços atende-se ao peso da própria estrutura e à pressão do vento sobre esta, sobre os condutores (nos quais se incluem o condutor ou condutores de guarda) e restantes elementos constituintes das linhas.
É o cálculo destes esforços que permitirá posteriormente efectuar o dimensionamento das respectivas fundações do apoio, que garantirá a estabilidade deste e a resistência ao arrancamento que estes induzem à estrutura do apoio.

As estruturas apresentam quatro pontos de apoio no solo, constituídas por quatro maciços de betão independentes, formados por chaminé prismática e sapata em degraus. As fundações são dimensionadas para os esforços máximos que lhe poderão ser transmitidos pela estrutura metálica, dependendo no seu cálculo das condições geotécnicas do terreno onde serão implantadas e de diversas variáveis tais como:
1.       Esforços máximos de arrancamento em condições normais
2.       Esforços máximos de arrancamento em condições excepcionais
3.       Volume de escavação
4.       Volume de betão
5.       Volume de betão enterrado
6.       Peso do maciço
7.       Volume de terras comum a duas fundações
8.       Volume de terreno estabilizante (a=300)
9.       Peso do terreno estabilizante
10.    Resistência ao arrancamento
11.    Coeficiente de estabilidade (solicitações normais)
12.    Coeficiente de estabilidade (solicitações excepcionais)
13.    Força de compressão intrínseca
14.    Força de compressão total (solicitações normais)
15.    Força de compressão total (solicitações excepcionais)
16.    Pressão sobre o terreno (solicitações normais)
17.    Pressão sobre o terreno (solicitações excepcionais)

O volume de terras que contribui para a estabilidade do apoio é o “cone” definido pela aresta a 300 do último degrau da chaminé prismática, cujo peso e compressão impedirá o arrancamento induzido pelos diversos esforços descritos.

É através da estrutura metálica dos apoios que é feita a ligação à terra, permitindo o escoamento de correntes de defeito (devidas a curtos-circuitos e descargas atmosféricas) para a terra.

De acordo com o disposto no regulamento de linhas de alta tensão, a ligação à terra deverá ser realizada individualmente numa das cantoneiras montantes do  apoio se a resistência de terra for superior a 20W, sendo que, caso a resistência de terra for de valor inferior ao referido é dispensável a ligação individualizada, desde que não existam aí instalados aparelhos de corte ou transposições de linhas aéreas para linhas subterrâneas.

Na Rede Nacional de Transporte a ligação à terra é realizada individualmente em todos os apoios e são ligadas as quatro cantoneiras montantes deste à terra através de um cabo de cobre, que é por sua vez ligado a quatro estacas por intermédio de ligadores apropriados, procurando-se sempre um permanente bom contacto e de baixa resistência eléctrica. Além disso, se o valor da resistência de terra for superior a 20W é realizada uma ligação em anel das quatro cantoneiras referidas, para melhorar o circuito de terra do apoio, permitindo um melhor escoamento das correntes de defeito, evitando consequências indesejadas e potencialmente perigosas.

Posto isto verifica-se que as disposições impostas pela Rede Nacional de Transporte a si própria, é muito mais exigente deste ponto de vista, apresentado elevados coeficientes de segurança neste aspecto.
Além disso nas linhas da Rede Nacional de Transporte, procura-se que o valor da resistência de terra seja inferior a 15W no primeiro Km junto das subestações, prevenindo eventuais contornamentos por arco de retorno. Em situações que este valor não seja conseguido, é possível instalar um anel a unir as quatro estacas para melhorar o circuito de terra.

Este fenómeno de arco de retorno consiste no escorvamento que ocorre, quando uma descarga atmosférica sobre o cabo de guarda provoca uma elevação do potencial da estrutura metálica do apoio que despontará um arco no sentido apoio – condutor (terra – fase) sobre a cadeia de isoladores. O potencial que surge nos bornes da cadeia de isoladores depende, então, da resistência (à onda de choque) da terra, da indutância da estrutura metálica do apoio e da forma como a corrente de descarga se reparte, por meio dos fios de guarda, pelos apoios mais próximos. Se Ki (t) for a fracção de corrente que se escoa por um apoio, a tensão nos bornes das cadeias de isoladores será aproximadamente:

 



  Assim, quando esta tensão atinge a tensão de escorvamento do isolamento da linha, produz-se um escorvamento por arco de retorno.
Pode inclusive ocorrer após este fenómeno extremamente rápido, que face ao caminho ionizado que foi criado se verifique um novo escorvamento, desta vez no sentido fase - terra por esse percurso.

É necessário acrescentar ao que foi dito sobre o circuito de terra, a distinção que se torna essencial efectuar no que respeita a tipo de zonas, isto é, zonas públicas, frequentadas, pouco frequentada e /ou não frequentadas. Nas zonas públicas e frequentadas é indispensável atender aos limites especificados para a tensão de contacto e tensão de passo, que se podem tornar perigosas e devem ficar abaixo de determinados valores que variam de acordo com a resistividade do solo e do tempo de eliminação de defeito, que para valores de 100W.m e 0,5s respectivamente são:

           Zona Publica                 Zona frequentada   
             Uc=189V                             Uc=255V                                           
             Up=262V                             Up=355V